segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Convite para reunião: frente contra as práticas de internações compulsórias
domingo, 7 de agosto de 2011
DO DIREITO A CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA
Camila Gibin*
A história das crianças e dos adolescentes no Brasil é fortemente marcada por opressões praticadas pelos detentores do poder contra este segmento da população. Seja no período colonial - com a prática jesuítica de aculturamento contra as comunidades primitivas, sendo as crianças alvos essenciais desta violência - seja no período escravocrata - com a exploração da força de trabalho infantil - seja na inserção dos pequenos nas fábricas, durante o início do século XX; ou até mesmo nas frequentes políticas “correcionais” para a juventude, tais ações vêm fortemente marcadas por uma política higienista e controladora que em todos os períodos demonstrou que a concepção de infância e juventude dos dominantes era a de um segmento marginalizado que necessitava apenas instituições para “readequá-la” ao jogo de um sistema injusto e desigual.
A institucionalização da infância (pela Igreja, pelo Estado e, atualmente, pelas ONG´s) surge com propósitos específicos em cada contexto, porém enquadra-se em sua totalidade em políticas de condicionamento moral e comportamental e de controle das crianças e dos adolescentes, vistos como delinquentes em potencial.
É neste contexto e nesta prática de institucionalização dos direitos que, atualmente, vemos o debate referente ao direito das crianças e dos adolescentes à convivência familiar e comunitária. No entanto, o que vem se discutindo centralmente foge a uma reflexão mais profunda que perpasse aos modelos de relações humanas que temos tido e as necessidades de transformá-las para garantir de fato uma nova cultura que permita a responsabilização pela infância por parte do coletivo da sociedade.
Os debates se limitam em refletir, apenas, na elaboração de políticas sociais/projetos e programas institucionais que venham garantir a inserção das crianças e dos adolescentes em ambientes socioeducativos ou trabalhos de sociabilização com famílias, justificando isto como a defesa ao direito da convivência familiar e comunitária. Porém, o que devemos compreender é que o significado deste direito extrapola os limites institucionais e que o direito a efetivação de vínculos afetivos da comunidade é algo que deve estar inserido na cotidianidade, e não entre muros e CNPJ´s.
A experiência das comunidades indígenas nos mostra o quanto a infância e a juventude são de fato significativas e respeitadas quando, mesmo que cada criança tenha seu referencial de pai e mãe biológicos, há um coletivo que se responsabiliza e responde pelo processo educativo destes, compreendendo que todos, em qualquer condições, devem estar dispostos a acolher e estar junto desta ao que for necessário.
Estas experiências não são tão diferentes quando nos deparamos com as vivencias em algumas cidades interioranas ou bairros periféricos, nos quais os próprios vizinhos acolhem as crianças, independente dos fatores biológicos/familiares, sendo todos os moradores do local cuidadores/educadores em potencial. Claro que não são em todos os espaços que as relações se dão de maneira harmoniosa, porém é preciso compreender esta problemática e relacionarmos com os processos históricos, observando que a desunião, as relações egoístas e individualista estão diretamente relacionadas ao que Engels nos apresenta como a origem da família e da propriedade privada, que redimensiona, inclusive, os membros da família (filhos e mulher) como propriedades do pai (patriarcado), visualizando-os como meros objetos, descaracterizando-os como sujeito pertencente a um coletivo.
Por isto há a necessidade de colocarmos também em pauta ao falar de convivência familiar e comunitária de que tipo de família estamos falando na atualidade e qual modelo defendemos, em vista de que as politicas publicas se centram na questão familiar em suas diretrizes mas não oferecem em seu bojo reflexivo as dimensões da família hoje, a qual parte da premissa do modelo burguês. Se o modelo familiar é na perspectiva da defesa da propriedade e de relações individualistas, qual o fundamento real e o avanço em se defender as politicas que centram trabalhos na instituição familiar?
Sem duvida alguma há a necessidade de ações que fortaleçam a família e a comunidade, mas devemos nos questionar os limites impostos pelas politicas sociais que, dentro de uma estruturação já falha não consegue garantir questões objetivos/materiais, nem menos subjetivas/emocionais/afetivas. Devemos, portanto, ampliar nossa percepção para muito além da dimensão institucionalizada das politicas, reconhecendo que estas não suprem de fato as necessidades do publico infanto-juvenil e de nenhum outro segmento, visto que a defesa pelos direitos da infância está estritamente ligada a um processo de luta de classes.
Com o surgimento do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (2006), que pretende elaborar, normatizar e padronizar politicas publica que viabilizam o cuidado com a família para prevenir que a criança ou o adolescente perca os vínculos familiares ou resgatar estes, tendeu-se mais uma vez a burocratizar as ações e a não aprofundar o debate.
Falar de convivência é falar de todos os espaços e aspectos da vida e não da necessidade de uma politica especifica para tal, fragmentando novamente o entendimento de como/que maneira, em quais circunstancias se deve trabalhar e praticar a ideia de convivência.
Antes tínhamos em nossa história o papel de Juízes que se apoderavam das decisões relativas a vida da infância, como se esta fosse de posse do Judiciário. Já nos dias atuais, temos a manutenção da ideia de propriedade, mas entregando a responsabilidade e o domínio pleno à família (ao pai, especialmente), descaracterizando a responsabilidade do Estado e da sociedade no cuidado do publico infanto-juvenil, indicando uma cultura de culpabilização da família pelas questões vivenciadas pela criança, mesmo que a origem da problemática fosse, antes de tudo, a própria logica estrutural da sociedade que não consegue garantir condições objetivas e subjetivas às pessoas para que se relacionem e cuidem com qualidade de seus filhos. É somente com os processos de lutas pelos direitos da criança e do adolescente que se consegue alterar esta concepção, firmada em lei, pontuando que todos são responsáveis pela infância e juventude no Brasil e que este segmento tem ainda direito a convivência por laços afetivos.
Problematizar a centralidade da família nas políticas sociais é compreendermos que, apesar das diversas formas de organização familiar da atualidade, a categoria “família” não corresponde como um elemento explicativo da realidade, sendo então a expressão múltipla de formas de sobrevivência da classe trabalhadora na sociedade capitalista, pautada no modelo de família burguesa, com relações individualistas e desumanizadoras, o que nos indica a impossibilidade dessa sociedade de classes garantir de fato uma convivência social harmoniosa e plena.
*militante do Fórum Regional de Defesa do Direito da Criança e do Adolescente – Sé e integrante do Coletivo Feminista Anastácia livre
Notícia:Moradores de rua de SP acusam violência e higienismo da prefeitura
Para população de rua, trabalho de ONGs e de grupos religiosos é o que garante a sobrevivência, enquanto aguardam um olhar mais humano do poder público
Por: Raoni Scandiuzzi, da Rede Brasil Atual
Publicado em 06/08/2011, 12:10
Última atualização às 13:01
Sem políticas públicas que a contemple, população de rua depende de benevolência da sociedade (Foto: ©Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)
São Paulo – Esquecidos por grande parte da sociedade e pelo poder público, especialmente pela prefeitura de São Paulo, os moradores de rua da maior e mais rica cidade brasileira encontram nas instituições não governamentais e grupos religiosos a saída para manter a pouca dignidade social e esperança que lhes restam.
Nem o frio nem a fome. O que mais incomoda essas pessoas é o tratamento desumano e muitas vezes violento aplicado pelas forças policiais. Matheus Alves de Oliveira tem 16 anos - na rua desde os 12 - não hesita em falar da agonia vivida quase que diariamente.
"Por qualquer coisinha os policiais já querem agredir. Tem vez que o pessoal do rapa chega para pegar os colchões e os cobertores, nós saímos correndo e ele jogam spray de pimenta, sem nem perguntar nada", conta o garoto. Rapa é uma gíria para os funcionários da Central de Atendimento Permanente de Emergência (Cape), órgão da prefeitura cuja função é atender a população em situação de rua.
O jovem Matheus, que sonha em ser mestre de capoeira, disse que já recorreu ao abrigo municipal do M'boi Mirim, mas que desistiu. "Não gostei do ambiente", justifica. Os abrigos e albergues públicos paulistanos vêm sendo alvo constante de críticas devido às superlotações e maus tratos, além da falta de higiene.
O coordenador da Fundação Projeto Travessia, Marcelo Caran, lida com cerca de 130 crianças e adolescentes em condição de rua, no centro de São Paulo. Ele conta que "não existe de fato um trabalho (público) de construção de um processo de reversão dessa situação. O que vemos são abordagens truncadas, equivocadas, muitas vezes desrespeitosas e violentas, que visam apenas a limpeza das ruas da região central, é uma verdadeira ação higienista".
Recentemente o prefeito paulistano Gilberto Kassab demonstrou, com sarcasmo a situação dos moradores de rua nos albergues. Ele postou em seu twiter uma mensagem dizendo que "o astral dos moradores de rua está muito bom, acho que é porque o frio deu uma trégua". Ele foi alvo de duras críticas em redes sociais e instituições que lidam com essas pessoas.
Marcelo assegura que "se todos os moradores de rua optassem por sair das ruas hoje, não haveria uma estrutura de acolhimento adequado". Ele garante que muitas pessoas preferem dormir ao relento a frequentar esses ambientes (de abrigos e albergues municipais). "Temos depoimentos de meninos e meninas adolescentes que não querem ir justamente em razão da forma como são tratados", revela o ativista.
Uma das educadoras do Projeto Travessia, Tânia Lima, diz que a Guarda Civil Metropolitana é a mais despreparada para lidar com os jovens moradores de rua. Ela conta que além de buscar aproximar o jovem abandonado de sua família, "a inserção dos adolescentes nos grupos comunitários dentro dos bairros em que os familiares residem é muito importante, pois assim é mais fácil mantê-los próximos à sua casa."
O jovem Matheus conta ainda que não espera nada da prefeitura, que "em vez de dar alguma coisa, só toma o que é nosso". Para ele, quem realmente ajuda nos cuidados básicos "são as instituições, as ONGs e o 'pessoal da igreja', que leva comida, dá cobertor, leva roupa, leva a gente para tomar banho, ora e conversa com a gente", explica o garoto.
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/08/moradores-de-rua-de-sp-acusam-violencia-e-higienismo-da-prefeitura
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Reunião Forum DDCA Sé 12/08
Horário: 9h00
Local: Pastoral do Menor
Rua Rodolfo Miranda, 249 (próximo ao Metrô Armênia)
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Notícia: Dirigente popular é preso pela PM por distribuir pães a crianças sem teto
http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/desocupacao-de-predio-no-centro-de-sp-deixa-40-familias-nas-ruas/view
Notícia:Crianças são 40% dos brasileiros na miséria
por Paula Rosa — 28/07/2011 11:16
A estimativa faz parte dos dados coletados pelo Censo 2010
Fonte: Folha de SP
por Paula Rosa, Rede ANDI Brasil - Brasília (DF), com informações do Jornal Folha de São Paulo
Quatro em cada dez brasileiros que vivem na miséria são crianças de até 14 anos, aponta o Censo 2010. Uma das causas é a maior natalidade nas famílias mais pobres, decorrente da falta de planejamento familiar e até de machismo, dizem especialistas ouvidos pelo Jornal Folha de São Paulo.
A falta de acesso a serviços básicos, como o registro de nascimento em cartório, acentua a exclusão. Segundo linha definida pelo governo federal, são extremamente pobres as famílias cujo ganho mensal é de até R$ 70 por pessoa. Nas mais numerosas, em que a renda é dividida por mais pessoas, o ganho per capita tende a ser menor.
Como essas famílias em geral não têm acesso a planejamento familiar e métodos contraceptivos, pela falta de serviços públicos, a natalidade é maior, diz Myrian Veras Baptista, professora de serviço social da PUC-SP.
Patrícia Grossi, professora da pós-graduação em serviço social na PUC-RS, coloca o machismo na equação. Ela afirma que ainda há no país muitos homens que não deixam a mulher utilizar métodos anticoncepcionais. "O marido ou companheiro quer ter vários filhos para 'provar' que é homem", diz.
Danilo Bandeira/Editoria de Arte/Folhapress
A falta de bons serviços públicos de educação e saúde contribui para a transmissão da pobreza de geração a geração. Marie-Pierre Poirier, representante do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no Brasil, lembra que pobreza não se define só pela renda, mas também pelo acesso a direitos como saúde e educação.
Grossi considera que programas de transferência de renda como o Bolsa Família são importantes, mas não suficientes. Ela defende mais vagas em creches e investimento em educação infantil para quebrar o ciclo de transmissão da pobreza.
Com o Brasil sem Miséria, plano lançado no mês passado, o governo federal ampliou de três para cinco o limite de filhos que podem ser incluídos no Bolsa Família. A estimativa oficial é que 1,3 milhão de crianças de até 15 anos sejam beneficiadas.
