domingo, 14 de agosto de 2011

DENUNCIA ! - CARTA DOS ADOLESCENTES DA FEBEM/FUNDAÇÃO CASA, DENUNCIANDO A UNIDADE JATOBÁ -UI28



Transcrição da Carta dos adolescentes da FEBEM/FUNDAÇÃO CASA Unidade de Internação Jatobá -UI28, denunciando as torturas que sofrem na Unidade.

Em 13/08/2011, recebemos esta carta escrita pelos adolescentes da FEBEM UI28, denunciando as torturas que eles e seus familiares vem sofrendo e cobrando uma posição das autoridades em relação ao fato apresentado. Segue a carta transcrita:


“Nós adolescentes da casa Jatobá, UI 28 do complexo raposo tavares, pedimos para que a vossa exelência nos de atenção imediata, o motivo da solicitação é pelo fato de nós adolescentes nos encontrarmos sofrendo diversas opressões, e os ocorridos fazem gerar um transtorno terrivel não só fisicamente aos adolescentes como na mente de seus familiares.

Estamos em um ambiente a onde a opressão fisica e psicológica fazem parte de nossa dificil rotina, por esse fator alguns adolescentes com trauma psicológico não conseguem se quer dormir em paz, com medo de acordar sendo agredidos por quem deveria os reeducar. E a negligência médica também está sendo exercida pelos mesmos, diversos adolescentes se encontram com gripe e considerando que as doenças se agravam e atravéz disso jera febre, mediante a isto o descaso médico continua a ser praticado. ( A aguá gerada do banho faz com que isso se agrave deixando os mesmos em uma situação de risco).

Gostariamos também de deixar vocês cientes de que; de que vem se ocorrendo com frequência humilhações direcionadas aos nossos familiares, os mesmos ofendem nossos famíliares com palavras de baixos calões, e mesmo diante dessas situações nós adolescentes não queremos conflitos com o corpo funcional e com a direção da unidade, ao contrario nós desejamos que tenha solução para estes entre outros constrangimentos causados principalmente pela direção desta unidade de internação. As nossas necessidades de higienização e alimentação não estão sendo suplidas, o mau cheiro nos banheiros, dormitórios e no refeitório vem trazendo mau estar para o nosso convivel, as roupas vem a serem trocadas uma vez por semana, e os alimentos que além de virem estragados e com pedras e materiais recicláveis deixados pelos (a) cozinheiras (o) da (comvida) empresa que fornece a alimentação no complexo raposo tavares e na unidades da fundação casa ligadas a “ D.R.M 4”.

A senhora diretora cujo o nome é “tânia”; vem pressionando diretamente os adolescentes insinuando que vai colocar 90 homens da G.S.I (grupo de segurança intensiva) dentro da unidade, e o motivo mensionado pela mesma é de estarmos pedindo um tratamento digno para nós e aos nossos familiares.

Precisamos de alguém. Na direção da unidade que realmente queira nos reeducar não nos maltratar da forma hostil e opressora que vem acontecendo e tomando uma proporção maior, os ematomas nos nossos corpos são visiveis e a nossa expressão facial retrata os danos causados pelas diversas opressões sofridas,a mesma diretora diz ter ordens da doutora Berenice para a pratica de suas iniquidades mencionando até ser amiga da mesma e por isso ela justificou que nada seria feito para êczonerar-la do cargo, mas sabemos da legalidade de nossa constituição, e sabemos também que as providências devem serem tomadas, até porque somos seres humanos e não merecemos sermos tratados como animais em carcere privado sem uma atenção digna; sabemos oque ela faz fora da legalidade e queremos que vocês autoridades tomem providências, mediante os fatos.

A maioria das vezes os fatos que se ocorrem são no plantão noturno e principalmente com a presença da senhora diretora e da encarregada das tecnicas, psicológas e assistentes sociais considerando que; toda a equipe da direção são conivêntes e alguns são autores aos maus tratos praticados contra nós adolescentes que estamos traumatizados.

A senhora tania é quem disse que á disse/ que a doutora Berenice é a pessoa que ordenas essas ações ilicitas, a mesma ciênte de que essas atitudes são ilegais, diz que nada irá atingila. Nossos familiares estão cansados de serem enganados por que, quando apanhamos e falamos aos nossos familiares a mesma diz aos nossos familiares que estamos mentindo mas nossos familiares sabem que de fato tudo isso está se ocorrendo porque as marcas das torturas são visiveis.

Finalizamos esta humilde correspondência agradecendo as autoridades do forúm pela atenção importante que nos deram.

Aguardamos por uma atitude de vocês mediante todos esses fatos.

Obrigado!

Ass: adolescentes da UI 28

Complexo raposo tavares.

06/08/2011”



O FORUM REGIONAL DE DEFESA DO DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE- SÉ, POSICIONA-SE A FAVOR DOS ADOLESCENTES E DAS FAMÍLIAS, DENUNCIANDO A FEBEM/FUNDAÇÃO CASA !

EM DEFESA DA JUVENTUDE!

Exigimos a responsabilização do estado, nas figuras da Presidente da FEBEM e do Governador de São Paulo!

Exigimos a responsabilização do Governo Federal pela sua conivência e Omissão!

PELO FIM DA FEBEM/Fundação Casa!


Divulgando: Seminário Criança e adolescente em situação de rua

FÓRUM ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - SP

Seminário Criança e adolescente em situação de rua

" Interface com o Sistema de Garantias de Direito"

O Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo- FEDDCA-SP, constituído na década de 80, com o objetivo de atuar na defesa dos direitos da criança e do adolescente, vem, a presença de todos, convidar para participar do Seminário “ Criança em situação de rua ou na rua” que será realizado no dia 18/08/2011, das 09:00h às 16hs, na Câmara Municipal de São Paulo no viaduto Jacareí, nº 100. O objetivo desse evento é mobilizar a sociedade na perspectiva de construir Diretrizes para implementação de políticas públicas para atendimento de crianças e adolescentes em situação de rua, respeitando suas peculiaridades e atendendo o conjunto de necessidades. O evento conta à participação de todo o sistema de Garantia de Direitos humanos, Conselhos de Direitos e Tutelares, Defensoria, OAB, ONG´s, cidadãos, militantes, Secretarias Municipais e Estaduais, associações, Fóruns dca´s, legislativo, bem como toda população para essa luta esquecida pela nossa sociedade. Contamos com todos, só assim é possível construir uma sociedade mais justa e igualitária. Vamos dialogar e construir!

Programação

09h00 – recepção e credenciamento

09h30 – mesa de abertura

10h00 – Reflexão sobre o tema e a omissão do Estado

10h40 – Roda de diálogo (Assistência, Educação e Saúde)

11h20 – Debate

12h00 – Resumo dos trabalhos

12h30 - Almoço

13h30 - Lei 12010/09 e política de atendimento à família (histórico e conjuntura atual) Regina Andrade.

14h10 - Debate

14h30 - II Roda de diálogo – Diretrizes e Estratégias da Política de Atendimento.

15h30 - Fechamento das propostas

16h00 – Encerramento.

Realização: FEDDCA/SP e parceiros

Notícia:Proteção à criança é frágil, dizem analistas

Fonte: Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1408201120.htm





Proteção à criança é frágil, dizem analistas

Caso das meninas que praticam furtos na zona sul de SP escancara deficiências do sistema, aponta promotor

Uma das críticas elencadas é a falta de integração entre polícias, poder público e Conselho Tutelar


Danilo Verpa/Folhapress
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/c1408201101.jpg


Menina faz gesto obsceno a fotógrafo no 36º DP

JULIANNA GRANJEIA
DE SÃO PAULO

O caso das meninas de 10 a 14 anos que têm praticado furtos frequentes na região da Vila Mariana (zona sul de São Paulo) escancara a fragilidade do sistema de proteção à criança e ao adolescente, segundo especialistas.
Na quinta-feira, sete das 15 meninas que atuam na região foram apreendidas novamente pela Polícia Militar após tentarem furtar duas mulheres.
O Conselho Tutelar conseguiu localizar quatro mães, que foram presas por abandono de incapaz. Anteontem, após pedido da Defensoria Pública, a Justiça mandou liberá-las. As meninas foram para abrigos.
O promotor Thales Cezar de Oliveira e o vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ariel de Castro Alves, afirmaram que o primeiro erro foi ter permitido que essas crianças ficassem nas ruas.
"Toda essa situação era possível de ser evitada se tivéssemos um programa com educadores fazendo abordagens na rua. Nenhuma criança pode ficar perambulando pelas ruas. Independentemente de estarem cometendo crimes, elas já deveriam ter sido atendidas", afirmou.
Oliveira ressaltou que é dever da Polícia Civil fazer a identificação de todas as pessoas que estiverem em situação de risco. Ele disse que tomou conhecimento do caso por meio do Conselho Tutelar, já que das outras vezes em que as meninas foram apreendidas não houve abertura de procedimento.
A falta de identificação impede que seja feito o trabalho principal com pessoas em situação de risco: o PAI (Programa de Ação Individual).
Outra falha apontada é a falta de integração entre as polícias, Conselho Tutelar e poder público.
"Precisa ter uma atuação integrada entre os órgãos para que um não fique jogando a responsabilidade para o outro. Esse histórico de fuga dessas meninas mostra a fragilidade do sistema, mesmo após 20 anos da existência do ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente]", disse Alves.

OUTRO LADO
O delegado Márcio de Castro Nilson, do 36º DP (Paraíso), disse que não se manifestaria sobre as críticas.
"Cada um tem sua interpretação. A minha, de autoridade policial, é tão acadêmica quanto dos defensores públicos ou promotores."
Os conselheiros tutelares que atuaram no caso também informaram à Folha que não poderiam comentar o assunto. "Cada um tem que fazer o que lhe cabe. No caso da polícia, seria o de prender. O nosso, de garantir a proteção às crianças", disse a conselheira tutelar Kátia de Souza, que atua na região da Vila Mariana.

Colaborou AFONSO BENITES


http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/08/13/para-advogado-prisao-das-maes-de-meninas-que-fazem-arrastoes-em-sp-foi-abusiva-925128167.asp

Fonte: Jornal o globo

Polêmica

Para advogado, prisão das mães de meninas que fazem arrastões em SP foi abusiva

Publicada em 13/08/2011 às 13h31m

O Globo

Meninas que fazem arrastão foram levadas para delegacia - Reprodução TV Globo

SÃO PAULO - O advogado Ariel de Castro Alves, vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil, considerou abusiva a prisão das mães das crianças e adolescentes acusadas de fazer arrastões na Vila Mariana, em São Paulo. Para o advogado, faltou bom senso a polícia civil no caso. A Justiça mandou soltar as quatro mulheres presas.

LEIA TAMBÉM:Polícia manda prender quatro mães de meninas que fazem arrastões em SP

LEIA TAMBÉM:Justiça manda soltar mães de meninas que fazem arrastão em SP

- É criminalização da pobreza a autoridade policial presumir que as mães abandonaram intencionalmente seus filhos. Será que o delegado também prenderia os pais de adolescentes de classe alta que ficam a noite em bares e nas ruas consumindo bebidas alcoólicas, inclusive na Vila Mariana? - questiona o advogado.

As quatro mães haviam sido presas nesta quinta-feira por abandono de incapaz, por decisão do delegado Márcio de Castro Nilson. O pedido de soltura havia sido requerido pela Defensoria Pública de São Paulo. A juíza Maria Fernanda Belli, que assina a decisão, determinou, no entanto, duas medidas cautelares para as mulheres: elas não podem se ausentar de São Paulo e precisam comparecer, em até 7 dias, ao Conselho Tutelar de Cidade Tiradentes, bairro da Zona Leste de São Paulo em que moram as mulheres.

O advogado argumenta que se as meninas fugiram de abrigos, do Conselho Tutelar também podem ter fugido de casa.

- E nesse caso a jurisprudência dos Tribunais já define que havendo a fuga de menores, o crime de abandono de incapaz não se configura.

Para o advogado, prender as mães piora a situação, já que os demais filhos dessas mulheres é que ficaram abandonados. Uma delas tem outros cinco filhos.

- Devemos levar em conta que em muitas dessas famílias as mães sozinhas é que tentam sustentar seus filhos, sem apoio dos pais e muito menos do poder público. É inaceitável que a questão social seja tratada ainda como questão de polícia.

Segundo ele, não é possível se atribuir toda a culpa pela negligência e situação de risco das crianças e adolescentes unicamente a família delas.

- O Estatuto da Criança e do Adolescente é muito claro no que diz respeito a corresponsabilidade da família, do Estado e de toda a sociedade de proteger, promover e garantir os direitos da criança e do adolescente.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/08/13/para-advogado-prisao-das-maes-de-meninas-que-fazem-arrastoes-em-sp-foi-abusiva-925128167.asp#ixzz1UwYM1jrz
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Fonte: Folha de São Paulo

12/08/2011 - 20h16

Justiça de SP manda soltar mães das "meninas do arrastão"

JULIANNA GRANJEIA
DE SÃO PAULO

A juíza Maria Fernanda Belli, do Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais), determinou na noite desta sexta-feira a soltura das quatro mães de meninas que faziam arrastões na região da Vila Mariana (zona sul de São Paulo).

http://f.i.uol.com.br/folha/multimidia/images/icn-foto-14x14.gifVeja mais imagens
Mães de "meninas do arrastão" são transferidas após prisão em SP
Polícia autua mães de 'meninas do arrastão' por abandono
PM apreende 'meninas do arrastão' mais uma vez em SP
Prefeitura diz ter conversado com pais de 3 'meninas do arrastão'
Falhas e omissões mantêm 'meninas do arrastão' na ativa em SP
Nove crianças suspeitas de furto são detidas na zona sul de SP

A Defensoria Pública havia pedido, na tarde de hoje, o relaxamento da prisão --com a liberdade provisória-- das mulheres por considerar que não existe responsabilidade penal objetiva. "Ou seja, as mães não poderiam responder no âmbito criminal por atos praticados por suas filhas. Além disso, a Defensoria argumenta que a acusação sequer se enquadra no tipo penal de 'abandono de incapaz' [artigo 133 do Código Penal]", informou o órgão, por meio de nota.

As mães foram presas na noite de quinta-feira (11) após serem localizadas pelo Conselho Tutelar para buscarem as sete meninas apreendidas ontem pela Polícia Militar.

Após deixarem o 36ºDP (Paraíso) na manhã de hoje, elas foram encaminhadas para o 97ºDP (Americanópolis). A juíza determinou, ainda, duas medidas: não deixar a cidade e o comparecimento obrigatório das mães, em até sete dias, ao Conselho Tutelar da Cidade Tiradentes.

O delegado havia estipulado fiança de R$ 182 para cada uma --o valor mínimo permitido pela legislação (dois terçcos de um salário mínimo). No entanto, a juíza desobrigou o pagamento.

De acordo com a Defensoria, o ofício foi encaminhado às 19h40 para a Polícia Civil.


Danilo Verpa/Folhapress


Meninas que fazem arrastões na Vila Mariana (zona sul de São Paulo) são apreendidas novamente

Meninas que fazem arrastões na Vila Mariana (zona sul de São Paulo) são apreendidas novamente

APREENSÃO

As garotas foram apreendidas na tarde de ontem após cercarem um carro com duas mulheres, na esquina das avenidas Professor Noé Azevedo e Lins de Vasconcelos, pedindo bolsas, dinheiro e celulares.

Segundo a polícia, o carro foi cercado por cerca de 15 meninas, mas apenas sete foram apreendidas. Dessas sete, três são crianças e quatro são adolescentes -- uma delas tem 14 anos, três têm 13 anos, duas têm 11 e uma tem 10.

Ontem, elas chegaram a passar pelo núcleo de identificação da Fundação Casa, para tentarem ser identificadas corretamente. No entanto, nenhuma delas tem passagem pela fundação.

Todas as garotas apreendidas foram encaminhadas para um abrigo pelo Conselho Tutelar.

Como as vítimas não quiseram aguardar para registrar o boletim de ocorrência no 36º DP (Paraíso), o delegado instaurou um procedimento para investigar o que houve exatamente no semáforo. Por não haver processo ainda, o pedido de liberdade foi julgado pelo Dipo.

As meninas são moradoras dos bairros Cidade Tiradentes e São Mateus (zona leste). No entanto, para a polícia elas haviam dito que eram de Diadema (Grande São Paulo).

O soldado da PM Marcos Beltrão afirmou que as garotas detidas ontem fazem parte do grupo de 15 que faz arrastão pela região. "São sempre as mesmas, e tem mais dois menininhos que às vezes estão com elas também. Do segundo semestre do ano passado até agora, já apreendemos essas crianças umas 17 vezes."

DIREITOS

Para o vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ariel de Castro Alves, a prisão das mães foi abusiva.

"É inaceitável que a questão social seja tratada ainda como questão de polícia. Não é possível se atribuir toda a culpa pela negligência e situação de risco das crianças e adolescentes unicamente à família delas. O Estatuto da Criança e do Adolescente é muito claro no que diz respeito a corresponsabilidade da família, do Estado e de toda a sociedade de proteger, promover e garantir os direitos da criança e do adolescente", afirmou.

FUGITIVAS

As mães disseram ontem à polícia que não sabem mais o que fazer com as filhas. Afirmaram que as meninas saem de casa para ir à escola, mas fogem.

A Folha ouviu a conversa de uma mãe com a filha no banheiro da delegacia. Ela chamou a criança de "besta".

"Você foi voltar no mesmo local do crime? Você é uma besta mesmo", disse a mãe.

Para o delegado, as meninas apreendidas são "crianças sapecas" em situação de risco. "São meninas desassistidas pelos pais, pela sociedade, pelo governo", afirmou Nilson.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Divulgando: espetáculo Cidade Submersa, que retrata a história da vila urbana mais antiga de São Paulo

A "Cidade Submersa": Vila Itororó e suas memórias

sex, 2011-08-12 13:27 — Michelle

Impulso Coletivo apresenta o espetáculo Cidade Submersa, que retrata a história da vila urbana mais antiga de São Paulo

12/08/2011

Patrícia Benvenuti

Da redação

Um espetáculo sobre memória, cidade e, sobretudo, moradores e suas histórias. A partir desses temas, a companhia de teatro Impulso Coletivo apresentará, nos dias 20 e 21 de agosto, em São Paulo, o espetáculo Cidade Submersa, cuja inspiração é a Vila Itororó, a vila urbana mais antiga da capital paulista.

Localizada no bairro do Bixiga, centro de São Paulo, a vila é alvo de uma disputa há vários anos. De um lado está a Prefeitura, que quer transformar o local em um centro cultural; de outro, cerca de 70 famílias, que lutam para não serem despejadas de onde vivem há décadas. A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) promete que todos os moradores serão atendidos por programas habitacionais, mas a pasta não apresentou, até agora, garantias sobre o reassentamento das famílias.

Cidade Submersa conta a história de Eliseu e Virgílio, dois personagens idosos e amigos de infância, que se reencontram depois de muito tempo. Eliseu sofre de Alzheimer, e a visita de seu amigo faz com que relembrem e reflitam sobre o lugar onde cresceram, que vem sofrendo grandes transformações. Para reencontrar esse local, guardado na memória, saem pela cidade se confrontando com suas contradições e mudanças.

O espetáculo traz depoimentos de moradores da Vila Itororó, além de cenas simbólicas que sintetizam problemas, como o ritmo acelerado do cotidiano, a especulação imobiliária, a escassez de moradia e a privatização do patrimônio público, que entrecruzam a trajetória de Eliseu e Virgílio.

A peça foi encenada pela primeira vez em maio do ano passado, na Casa das Caldeiras, em São Paulo, e as apresentações de 20 e 21 de agosto serão realizadas no Teatro de Arena do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (Avenida Deputado Emílio Carlos, 3.641, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo).

Na entrevista a seguir, o diretor do Impulso Coletivo, Jorge Peloso, fala sobre o espetáculo e a relação entre a memória, espaço urbano e cultura.

Brasil de Fato - Como surgiu a ideia do Cidade Submersa?

Jorge Peloso - A ideia do espetáculo foi construída ao longo do Projeto Desassossego - suas outras memórias, que durou mais de dois anos e começou em 2008. A ideia inicial do projeto era entender como os habitantes se relacionavam com a memória e quais eram as dificuldades para se apropriar da história da cidade de São Paulo. Vivemos numa cidade de proporções gigantescas com pessoas de todos os cantos do Brasil e do mundo, dentro de um processo onde cada vez mais nos apartamos do convívio nos espaços públicos, em que as relações com as pessoas e os ambientes são frágeis e muitas vezes até a própria maneira como a cidade vem sendo pensada e planejada nos impele à alienação dela própria. Então o Cidade Submersa nasce dessas inquietações e pretendemos, com esse espetáculo, problematizar junto do público um pouco dessas questões.

Como foi o processo de pesquisa para montar o espetáculo?

Com todas essas dúvidas pairando na cabeça, partimos primeiramente para uma pesquisa teórica para entender melhor o contexto e amadurecer qual seria nosso ponto de partida. Iniciamos leituras de autores como Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Milton Santos, Ulpiano Bezerra de Menezes e até o Vida e Morte do Bandeirante, de Alcântara Machado. Com ajuda desses autores entendemos melhor quais eram os pontos centrais da nossa inquietação sobre a importância da memória no contexto urbano. E foi com essa bagagem que, no final de 2008, tivemos nosso encontro com a Vila Itororó. O impacto visual foi imediato, e ao conversar com um dos moradores, percebemos que a Vila materializava todas nossas reflexões, e as expunha de maneira contundente e viva, e a partir daí iniciamos uma longa e intensa relação com ela. Passamos a frequentar as reuniões da Associação dos Moradores e Amigos da Vila Itororó, e junto da AMAVila, do Saju (Serviço de assistência Jurà ­dica - USP) e do coletivo Mapa Xilográfico, desenvolvemos várias ações culturais com os moradores e outras também para divulgar a causa da Vila. Depois de mais de um ano e meio, nossa convivência com os moradores foi íntima. E poder tecer essas relações de forma ética foi fundamental para nosso processo de criação e o influenciou completamente, aprofundando nosso olhar para compreender todas as dimensões que atravessam até hoje o problema não resolvido da Vila e de tantos outros lugares, e qual seria a melhor forma de traduzir essa experiência esteticamente.

A memória é um tema muito forte em todo o espetáculo. Na concepção do coletivo, qual a importância da memória para a cidade e seus habitantes?

A memória é algo de suma importância dentro de nossas vidas, e é por meio dela que nos tornamos quem somos, e é ela que dá sentido ao nosso processo histórico constante de construção de quem nos tornamos. Por isso, problematizar a memória e os processos de amnésia social que vivemos é fundamental, para que, refletindo, passemos a novas práticas em que ampliemos nossa relação com ela. Vivemos em tempos em que a memória também virou mercadoria e apesar de até encontrarmos discursos de incentivo à preservação, muitas vezes o que se vê é a fetichização e a monumentalização da memória, o que só dilui e pasteuriza a potência transformadora do passado materializado no presente. Porque afinal de contas é nesse confronto com o que já foi, com a diferença, que podemos caminhar para construir uma sociabilidade melhor e mais justa, reconhecendo os avanços e os retrocessos da nossa jornada. A memória é algo para ser vivenciada social e cotidianamente, não distanciada, para que nós redimensionemos nossa consciência e assim nos reconheçamos como agentes dos nossos processos históricos.

Como tem sido a recepção do público ao espetáculo?

Temos sido recebidos de forma muita generosa e calorosa pelo público, mesmo em cidades onde esses processos de urbanização são mais lentos e às vezes menos visíveis como Mogi das Cruzes e Suzano [na região metropolitana de São Paulo], onde já nos apresentamos. A perspectiva de aliar um olhar pessoal com depoimentos recolhidos na Vila Itororó e na Vila Maria Zélia, em confronto com o contexto de transformação urbana, a especulação imobiliária, a criminalização da pobreza e a fragilização dos laços comunitários, formam um panorama fértil para os espectadores se verem e refletirem sobre esse contexto, o que nos parece que tem gerado reações muito estimulantes para o público.

Os moradores da Vila também assistiram a uma apresentação do Cidade Submersa no ano passado. Como foi esse encontro entre as famílias e o coletivo?

Foi a finalização simbólica desse longo encontro e caminhos que traçamos juntos. Já vínhamos fazendo algumas mostras pontuais da nossa criação na própria Vila Itororó, inclusive um ensaio aberto contendo parte da peça dentro da piscina da Vila. Mas foi na estreia, com o auxílio da administração da Casa das Caldeiras que forneceu um ônibus e onde fizemos nossa primeira temporada, junto das nossas famílias e dos velhos e novos amigos, que concretizamos nosso processo com muita emoção. Não sei dizer ao certo o que eles sentiram, mas fizemos questão de dedicar, agradecer e abraçar cada um e recebemos muitos abraços carinhosos, e vimos rostos solidários, olhos marejados, sorrisos abertos de quem se viu retratado, reconheceu seus vizinhos e também viu sua história e esse contexto tenso em que vivem mostrado dentro da peça. E para nós foi uma satisfação imensa "concluir" esse projeto, que não teve qualquer financiamento público ou pa trocínio, de forma íntegra e ética, reconhecendo que tivemos muitas dificuldades, limites, discordâncias e crises dentro do próprio processo com a Vila e seus moradores, assumindo nossas diferenças, mas, sobretudo, valorizando o que nos une e o que construímos juntos. Sem esquecer, é claro, da participação espontânea das crianças da Vila durante essa apresentação, que respondiam e cantavam juntos com a gente, tornando único esse encontro.

A Prefeitura argumenta que a Vila Itororó não está sendo aproveitada em seu potencial e, para isso, deve ser transformada em centro cultural, o que deve acarretar o despejo das famílias. Como você, que integra um coletivo de cultura, avalia essa separação entre patrimônio histórico-cultural e a questão da moradia?

O que está em jogo no problema com a Vila Itororó são várias coisas. Além do processo higienista, dos interesses financeiros explícitos e da especulação imobiliária, existe dentro disso uma visão elitista sobre o que é cultura. A Vila com seus moradores possui uma riqueza cultural enorme e diversa, que talvez precisasse ser estimulada, e isso em si já anularia em parte a argumentação da Prefeitura. Se o caso é também ampliar o uso por pessoas de fora da Vila, a experiência do Impulso Coletivo e do Mapa Xilográfico na Vila Itororó é uma alternativa, pois nossas ações culturais compatibilizavam e estimulavam tanto a relação dos moradores com a arte, como também com a população da cidade, pois traziam pessoas de fora que podiam conhecer a Vila, como foi o caso da Vilada Cultural, que ocupou a Vila Itororó com 12 horas ininterruptas de apresentações artísticas e culturais em outubro de 2009. Nesse sentido, o caso da cidade de Para napiacaba também é exemplar, pois lá o poder público soube conjugar a vivência das pessoas que moram ali com uma iniciativa turística num local histórico. Além do mais, a Vila Itororó, por sua peculiaridade arquitetônica, geográfica e importância histórica, já serviu de cenário para inúmeros clipes, longas metragens, documentários, novelas e de campo para pesquisas de estudiosos de diversas áreas do conhecimento. Cultura não é o que falta na Vila Itororó, sem esquecer da região onde está localizada, tão rica culturalmente como é o Bixiga. A história da Vila Itororó está feliz e irremediavelmente atrelada e impregnada pelas famílias que lá também construíram suas histórias, muitas ao longo de mais de quatro décadas e mais de quatro gerações, e ao contrário do que se pode pensar, esse é caso da maioria das famílias. Como falei anteriormente, o que interessa é conhecer a Vila junto desses olhares que deixam diariamente suas marcas naquela s paredes, a memória viva da Vila não é só os prédios, mas é esse diálogo cotidiano que olha pela janela, joga futebol na rua e conversa no portão. É óbvio que as casas precisam ser reformadas, pois alguns moradores vivem em condições muito precárias e insalubres, mas ver a Vila Itororó pintada de branco ou bege, com restaurantes e mesinhas na rua, ajuda pouco a entender quem fomos e quem somos. Hoje, como ela está, é nosso espelho e escancara a história da urbanização da cidade São Paulo, desde os seus primórdios nos anos 20, a evasão da elite financeira do centro na década de 70, o tratamento dado à população pobre hoje e a recente revalorização do centro paulistano.

Veja trechos da peça em http://impulsocoletivo.wordpress.com/galeria/videos/

SERVIÇO:

Cidade Submersa, da companhia de teatro Impulso Coletivo

Dias 20 (sábado, 20h) e 21 de agosto (domingo, 18h)

Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (Avenida Deputado Emílio Carlos, 3.641, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo).

Entrada franca (Retirar ingressos com 1 hora de antecedência na recepção)

Notícia: Estudo sobre crianças e adolescentes afetadas pelo HIV/AIDS é divulgado

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=2&cod=59218

Jeane Freitas

Jornalista da Adital

Adital

Contribuir para que as crianças e adolescentes afetadas pelo vírus HIV/AIDS sejam reconhecidas como sujeitos de uma política nacional foi o objetivo do estudo sobre "Meninos, meninas e adolescentes afetados pelo HIV/AIDS, apresentado pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle de HIV/AIDS do Ministério da Saúde do Equador, região da América do Sul.

O estudo, que contou com o apoio de diversas entidades, teve início em 2009 e seus resultados querem mostrar a problemática das crianças e adolescentes afetadas pelo vírus no país, com as informações querem definir políticas e planos de ação que garantam os serviços essenciais para os afetados.

A representante do programa, Elizabeth Barona, teve acesso a 734 casos, dos quais 84,9% vêm da costa, 14,3% da serra, e 0,7% da Amazônia.

Segundo o estudo, "O problema afeta à pessoa portadora do vírus e a seu meio familiar e social, por essa razão, para o trabalho realizado pelas instituições, tomou-se em conta os menores de idade que vivem com HIV, aos órfãos, por causa deste mal, mas que não o padecem, e a filhos que têm pais com esta doença”

Conforme a equipe que participou do estudo, a coleta dos dados foi feita em hospitais infantis, clínicas e maternidades em Quito, Guayaquil e Cuenca através de entrevistas, encontros, formulários e trabalho de campo, com o cuidado de manter em sigilo todas as informações e o anonimato para resguardar as histórias de cada paciente.

O estudo contou com a colaboração da Defesa de Crianças Internacional (DNI) do Equador, CARE, Missão Aliança Noruega, Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Conselho Nacional de crianças e adolescentes do Ministério da Saúde Pública, através do Programa Nacional de Prevenção e Controle de HIV/AIDS.

Dados estatísticos da doença no país

Conforme dados do Programa Nacional da Aids do Ministério da Saúde Pública, em 2010, foi registrado no país um total de 3.966 casos de HIV e 1.301 casos de Aids. A doença mata cinco pessoas a cada minuto no mundo e as cifras de infectados são cada vez maiores. Cerca de duas mil pessoas são infectadas a cada ano.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Divulgando:Seminário Criança e adolescente em situação de rua

FÓRUM ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - SP

Seminário Criança e adolescente em situação de rua

" Interface com o Sistema de Garantias de Direito"


O Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo- FEDDCA-SP, constituído na década de 80, com o objetivo de atuar na defesa dos direitos da criança e do adolescente, vem, a presença de todos, convidar para participar do Seminário “ Criança em situação de rua ou na rua” que será realizado no dia 18/08/2011, das 09:00h às 16hs, na Câmara Municipal de São Paulo no viaduto Jacareí, nº 100. O objetivo desse evento é mobilizar a sociedade na perspectiva de construir Diretrizes para implementação de políticas públicas para atendimento de crianças e adolescentes em situação de rua, respeitando suas peculiaridades e atendendo o conjunto de necessidades. O evento conta à participação de todo o sistema de Garantia de Direitos humanos, Conselhos de Direitos e Tutelares, Defensoria, OAB, ONG´s, cidadãos, militantes, Secretarias Municipais e Estaduais, associações, Fóruns dca´s, legislativo, bem como toda população para essa luta esquecida pela nossa sociedade. Contamos com todos, só assim é possível construir uma sociedade mais justa e igualitária. Vamos dialogar e construir!
Executiva do Fórum Estadual DCA

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

COMUNICADO- Forum da Assistencia

COMUNICADO 04/2011

À CIDADE DE SÃO PAULO



Diante do descaso da Prefeitura Municipal de São Paulo com a Assistência Social:

não reajustando os convênios nos anos de 2010 e 2011;

não concedendo a verba adicional, conforme pactuado;

e redução de recursos aos convênios na adequação das portaria 46 e 47/SMADS/2010,



demonstrando, assim, total desconsideração aos usuários, trabalhadores e entidades da rede socioassistencial na cidade de São Paulo,

o Fórum da Assistência Social, em assembleia plenária no dia 08 de agosto de 2011, resolve:



1) Manifestar total apoio aos trabalhadores da assistência social que no último dia 06 decretaram estado de greve por não terem suas justas reivindicações atendidas;



2) interpelar judicialmente à Prefeitura Municipal de São Paulo, através da Promotoria Pública, diante do descaso do poder público municipal frente à Assistência Social;



3) manifestar-se na abertura e no decorrer da IX Conferência Municipal, inclusive com moções;



4) convocar usuários, trabalhadores e entidades para ato público frente ao legislativo e executivo municipal no próximo dia 30 de agosto.



Fórum da Assistência Social da Cidade de São Paulo