sábado, 14 de maio de 2011

Notícia: 49% das crianças menores de cinco anos têm desnutrição crônica

11.05.11 - Guatemala
49% das crianças menores de cinco anos têm desnutrição crônica
Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Adital

Embora crianças e adolescentes representem 55% da população guatemalteca, não têm recebido a atenção merecida. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 49% das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica na Guatemala. Este é o pior índice da América Latina.

Também a União Européia (UE) e o Índice Global das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) apontam o país como o primeiro lugar em desnutrição infantil na região e o quinto lugar mundial. O representante da União Europeia na Guatemala, Rafael Señán, declarou que há departamentos em que 80% das crianças estão mal nutridas.

No último dia 19, o presidente Álvaro Colom decretou alerta nacional devido ao crescimento do índice de desnutrição infantil – 15 mil crianças requerem ajuda alimentar urgente, de acordo com pesquisas da Secretaria de Seguridade Alternativa e Nutricional do país.

O governo da Guatemala argumenta que o fato resulta da perda de colheitas ocasionada pelo câmbio climático, que ora gera chuvas intensas, ora secas. A população guatemalteca, de cerca de 14 milhões de habitantes, é majoritariamente constituída por indígenas camponeses que têm como atividade principal a agricultura de subsistência.

Mesmo com a gravidade da situação, um carregamento de 40 mil toneladas de alimentos doados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em novembro do ano passado, desapareceu, o que colocou o governo de Colom em uma situação bastante desfavorável frente às eleições presidenciais que ocorrerão em setembro.

Em um artigo publicado recentemente na Prensa Latina, o coordenador do Observatório para o Direito à Alimentação, Luis Enrique Monterroso, citando o relatório "Estado Mundial da Infância 2010”, do Unicef, informa que a Guatemala está pior que a África no quesito nutrição, ocupando o terceiro lugar mundial, atrás apenas do Afeganistão e do Iêmen.

"A desnutrição crônica é o segundo maior problema deste país, atrás da violência e do narcotráfico. A fome mata mais que as balas, porém silenciosamente”, disse.

Monterroso destaca a falta de vontade política dos gestores como a principal causa do índice alarmante de desnutrição infantil, bem como a desigualdade de oportunidades e a discriminação de sexo, raça ou posição política.

Para ele, houve um avanço com a promulgação da Lei do Sistema Nacional de Segurança Alimentar Nutricional (Sinasan), em 2005. Contudo, a norma não está sendo operacionalizada. "Este avanço normativo pede cenários de coordenação e participação interinstitucional, que ao cabo de seis anos de vigência não se põem a funcionar como deveriam”, ressalta.

Além de tudo, o coordenador destaca a falta de continuidade das políticas públicas, que mudam a cada gestão de quatro anos, e, no caso do Sinasan, seu enfraquecimento por parte do próprio governo, que executa programas, gerando "paralelismo”, na opinião de Monterroso.

Lembrando a proximidade das eleições no país, ele lamenta que o tema não seja prioridade na agenda dos candidatos. Ainda assim, pede aos partidos políticos que coloquem a questão em suas pautas e fortaleçam o Sinasan, com metas progressivas, tratando causas e efeitos simultaneamente, assegurando financiamento para os programas e contratando técnicos, ao invés de políticos, para executá-los.

Com informações de Prensa Libre e TeleSur


http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&langref=PT&cod=56370

Nenhum comentário:

Postar um comentário